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ESTRUTURA PRECÁRIA NA MATERNIDADE ANA BRAGA, APONTA O SIMEAM EM FISCALIZAÇÃO

Sexta-Feira, 02 de agosto de 2019

Unidade está com desabastecimento de 62% de medicamentos e insumos. Médicos e população reclamam da faltam de segurança e equipamentos danificados.

Durante fiscalização realizada na Maternidade Ana Braga, na tarde desta quarta-feira (31), o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) identificou uma série de irregularidades na assistência ao parto na unidade, que é referência no Estado e está localizada no bairro São José, Zona Leste de Manaus. A fiscalização aponta um desabastecimento de 62% de medicamentos e Produtos para a Saúde (PPS), além de uma estrutura precária, equipamentos danificados e falta de segurança para os profissionais e população.

Coordenada pela presidente em exercício do Simeam, Dra. Patrícia Sicchar, a inspeção contou com a participação do deputado estadual, Wilker Barreto (PHS). Eles foram acompanhados pela diretora da maternidade, Glaucia Tapajós Said, médicos e enfermeiros que ajudaram no repasse das informações. Pacientes e acompanhantes também fizeram relatos.

No Pré-parto, Parto e Pós-parto (PPP), onde os médicos obstetras atendem as pacientes, os profissionais relataram falta de material e insumos, dentre eles luvas, fios de sutura, cateter, e denunciaram as condições precárias para o atendimento às gestantes. O exame de cardiotocografia não está sendo realizado porque o aparelho está danificado há 2 anos.

O exame é primordial para saber se o bebê está em sofrimento fetal, e consiste no registro gráfico da frequência cardíaca do feto e das contrações uterinas. O aparelho é de suma importância, no início do trabalho de parto e intraparto”, avalia a presidente do Simeam, Dra. Patrícia Sicchar.

Ainda no PPP, foi identificado que a central de ar-condicionado não funciona. Profissionais e pacientes são obrigados a permaneceram no espaço quente e muito pequeno. “Isto é inapropriado e configura falta de condições para o exercício da medicina, além de ser um crime contra os direitos das pacientes que precisam de um local limpo, arejado e com climatização adequada”, diz Sicchar.

No momento em que a comitiva visitou a unidade, uma acompanhante de uma gestante denunciou a cadeira de ferro destinada para o longo período de espera, sem conforto algum. “Eu queria saber se a cadeira do governador é igual a essa, ou se a primeira-dama, que está grávida, suportaria ver sua acompanhante numa cadeira desta que prejudica a coluna, causando dor e desconforto”, questionou a acompanhante.

Nas salas de acolhimento as pacientes, as paredes estão com infiltração, outras com a estrutura comprometida. Os leitos com cama ajustável não funcionam e o suporte para apoiar os pés das gestantes está quebrado. “O SUS é universalidade, não podemos dentro da mesma unidade, priorizar um setor e deixar de assistir outro” disse o médico obstetra Idalberto Bonfim, que trabalha na maternidade desde sua inauguração.

Os aparelhos de ultrassonografia são antigos e desatualizados, com mais de 13 anos de uso, as impressoras estão com defeitos. Na sala de curetagem a mesa não estava no local, dizem que foi levada para manutenção.

Dado muito alarmante é a falta de antibióticos, outros medicamentos e materiais de extrema importância na urgência e emergência, que poderão acarretar possíveis mortes maternas e infantis, além de colocar o profissional médico em perigo. A unidade não possui um diretor técnico, o que é obrigatório em todas as unidades de saúde, sendo motivo de fechar a unidade. São várias situações que comprometem o profissional, a vida da gestante e do bebê”, diz Dra. Patrícia Sicchar.

A falta de segurança também foi motivo de denúncia dos profissionais. Durante a fiscalização, uma médica teve que sair do consultório e pedir ajuda diante da falta de paciência da população por conta do tempo de espera para o atendimento. “Estamos sem segurança. Os únicos agentes que estão aqui são para proteger o patrimônio, ou seja, se a gente não tiver sorte e correr, vamos ser agredidos”, denunciou a médica.

A diretora Glaucia Tapajós Said admitiu que a unidade enfrenta alguns problemas e que durante anos, a maternidade foi crescendo com a construção de “puxadinhos”. Ela aponta o baixo valor dos recursos destinados à Ana Braga, como o principal fator para a falta de solução dos problemas.

Tentamos fazer uma reforma por conta própria, mas fomos denunciados. Reconhecemos que ainda há muito o quê fazer, mas precisamos de recursos, porque recebemos a unidade com uma série de problemas”, afirmou Glaucia.

Relatório

O Sindicato dos Médicos vai elaborar um documento constatando todas as irregularidades identificadas na maternidade Ana Braga. “Vamos sugerir oportunidades de melhorias e encaminhar cópias dos relatórios para todos os órgãos responsáveis, inclusive ao Ministério da Saúde”, informou a presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas. 

 

Texto: Alan Charles Chaves

 

 

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