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MINISTRO DA SAÚDE RECEBE MÉDICOS DO AM E SE PROPÕE A MEDIAR CRISE

Quinta-Feira, 25 de julho de 2019

Durante audiência realizada nesta quarta-feira (24), no Ministério da Saúde em Brasília (DF), o ministro da saúde, Henrique Mandetta recebeu uma comitiva composta por médicos de várias especialidades e representantes da enfermagem que atuam nas unidades hospitalares de Manaus, e parlamentares do Amazonas. O grupo coordenado pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) apresentou um diagnóstico do caos que se instalou no sistema público de saúde do Estado.

A crise que atinge todos os trabalhadores (estatutários e terceirizados) da rede estadual do sistema de saúde, além de pacientes que estão sofrendo, e alguns morrendo, foi destacada em uma apresentação com imagens, vídeos e documentos, pelo presidente licenciado do Simeam, Dr. Mario Vianna.

Mario Vianna apontou indícios de licitações suspeitas que colocam risco a vida da população, dados de superlotação, sobrecarga na urgência e emergência, falta de medicamentos, condições inadequadas de trabalho, estrutura precária, falta de insumos, aparelhos danificados, além da falta de diálogo técnico com os profissionais que vivenciam e enfrentam os problemas nas unidades da capital.

Em sua apresentação, Mario Vianna lembrou o caso que teve grande repercussão quando um cirurgião gravou um vídeo durante uma cirurgia vascular para denunciar a falta de material cirúrgico, em fevereiro deste ano. Exibiu documento que propõe uma irresponsável redução de todos os serviços nas unidades de Manaus, relação da central de medicamentos confirmando a falta de insumos e relatou o caso da falta de ar condicionado em salas do centro cirúrgico do PS 28 de Agosto, onde gestores da rede estadual gravaram um vídeo para negar a existência do problema, tentando desmoralizar e incriminar de forma mentirosa e covarde aos médicos pelo caos do sistema.

"O diagnóstico é de falência múltipla dos órgãos. Já recebemos informações que sete pessoas morreram e outras mais podem vir a óbito, e o Estado é responsável sim. É um crime reduzir serviços onde já existe um déficit. A atual gestão não abre uma agenda para conversar com os profissionais que conhecem os problemas e poderiam ajudar. Tanto que, durante a corrida eleitoral, fui questionado pelo então candidato Wilson Lima, o que poderia ser feito para mudar a área da saúde. Naquela ocasião eu respondi com uma palavra: conversar!", o presidente licenciado.

A comitiva de diretores das sociedades de especialidade médica representa mais de 2 mil profissionais e são responsáveis por cerca de 70% dos serviços prestados a população, atendendo na urgência e emergência das unidades.

Dra. Patrícia Sicchar, presidente em exercício do Sindicatos dos Médicos do Amazonas esclareceu que a natureza dos contratos das sociedades médicas com o Estado, é idônea, transparente e sem atravessadores.

"O valor repassado é dividido de forma igualitária, proporcional ao serviço prestado por cada sócio, diferente do sistema das famigeradas O.S’s, que hoje são alvo de investigação em vários estados. Mesmo sem receber estamos na retaguarda, trabalhando, carregando um sistema caótico e deficitário, e não temos nem o direito de suspender os contratos porque podemos presos e multados", desabafou.

Outro entrave é a falta contínua dos pagamentos do ano corrente e o acumulo de pagamentos de anos anteriores. Desde o início do novo governo, eles buscam a regularização para esses pagamentos. Enfermeiros especialistas, técnicos e auxiliares de enfermagem, também acumulam pagamentos atrasados. O presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (COREN-AM), Sandro André integrou a comitiva a convite do Simeam para denunciar o sofrimento que os enfermeiros vêm passando.

O presidente do Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (ICEA), Dr. José Francisco entregou dossiê ao ministro da saúde com dados de valores devidos pelo Governo do Amazonas aos cirurgiões. “O documento contém dados oficiais, como denúncias feitas junto aos órgãos responsáveis, além de informações internas do ICEA”, disse Dr. José Francisco.  

Outros relatórios deverão ser elaborados pelos diretores de especialidades médicas e encaminhados para a Secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Dra. Mayra Pinheiro.  

Diante do pedido de socorro e exposição das informações, o ministro da saúde se mostrou sensível ao drama enfrentado pela categoria. Henrique Mandetta comparou o caos da saúde do Amazonas como um carro que está com as luzes do painel de alerta, acesas anunciando que algo está errado com o veículo.

Ele se comprometeu em mediar o problema apresentado pela comitiva do Estado. Uma das medidas será enviar técnicos do ministério para levantar dados e elaborar um relatório que vai ajudar na decisão do que pode ser feito a curto, médio e longo prazo.

“As secretarias, municipal e estadual, vão ser chamadas para um diálogo, para que juntos, possamos encontrar soluções para a crise que se instalou no sistema público de saúde do Amazonas”, disse.

Dentre as atividades emergências, o Sindicato dos Médicos do Amazonas vai acionar a Comissão de Saúde da OAB para reunir com as demais entidades representativas, e por meio de apoio parlamentar, realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado para aprofundar as discussões.

Pela primeira vez na história do Amazonas os profissionais da saúde foram pedir socorro ao Governo Federal, e denunciar com apresentação de fatos os reflexos de uma crise. “Apesar de terem tentado nos intimidar, prevaleceu a força da honestidade. O ministro sabe que somos profissionais sérios, honestos, conhece nosso trabalho e ficou admirado com tudo o que apresentamos. Agora vamos continuar essa caminhada com o apoio da estrutura do ministério da saúde”, disse a Dra. Patrícia Sicchar.

Participaram da audiência com o ministro, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. José Luiz Dantas Mestrinho, amazonense radicado no Distrito Federal, e os deputados do Dermilson Chagas e Wilker Barreto. Em seus discursos, médico e parlamentares reforçaram e apoiaram junto o ministro os relatos da comitiva.

 

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