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FALTA POLÍTICAS PÚBLICAS PARA SAÚDE MENTAL NO AMAZONAS

Sexta-Feira, 19 de janeiro de 2018

O cenário encontrado é de total abandono. Impossível acreditar que a unidade possa ser considerada um centro de reabilitação para pessoas. Filme de terror está perdendo cenário não utilizando as instalações do Hospital psiquiátrico Eduardo Ribeiro em Manaus.

 

Hoje, tive oportunidade de conhecer o que são os restos mortais do que foi um dia um grande centro de acolhimento e tratamento psiquiátrico para a população do Amazonas e as impressões são as piores possíveis.

 

A Defensoria Pública através da especializada na promoção e defesa dos direitos relacionados a saúde na pessoa do Dr. Arlindo Gonçalves realizou uma inspeção in loco as instalações da unidade acompanhado das entidades relacionadas a saúde e entidades especializadas em saúde mental.

 

É importante ressaltar que pela grandiosidade do prédio percebe-se que aquele local já foi um grande centro, com capacidade de atendimento, tratamento e recuperação mas que hoje sofre com a falta de recursos e investimentos mas nem por essa razão deixou de funcionar, principalmente pela importância do serviço prestado à população.

 

Encontrei uma moça muito bonita na recepção da unidade, e puxei conversa acreditando ser alguém da comitiva, depois percebi se tratar de alguém querendo ajuda psiquiátrica, relatando pensamentos suicida por conta de depressão e que recorre sempre a unidade para pedir socorro antes que algo mais grave possa ocorrer.

 

A jovem trabalhadora do ramo de estética me disse ter dois filhos e que já havia sido internada por duas vezes no hospital, uma com ajuda da família e as demais recorrendo sozinha para não preocupar seus entes, além das vezes que ficou em observação na unidade e melhorou após ser medicada. Triste realidade principalmente para quem demonstra ter como controlar seus problemas se tratados de forma correta.

 

Voltando as condições do local, que as fotos por si só falam (para ver todas as fotos acesse o facebook do Simeam), é importante ressaltar que desde 2001 com a lei da reforma psiquiátrica, o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro já deveria ter sido desativado portanto, desde lá não recebe recursos financeiros para sua manutenção. Com a expectativa da desativação os consertos e manutenções e investimentos foram colocados de lado, os pacientes foram devolvidos as suas famílias e “ressocializados”, mas o que fazer com as urgências em psiquiatria?

 

Não há outra unidade que atenda esse tipo de serviço de saúde. Foram destinadas verbas para criação de uma urgência adequada a psiquiatria no Hospital Dr. Platão Araújo, zona leste, mas o projeto não saiu do papel. Na verdade, o intuito era fechar as portas do Eduardo Ribeiro e abrir apenas 20 leitos no Platão, o que não seria uma solução para o problema já que na atualidade, mesmo em situação precária o Hospital Psiquiátrico que passou a funcionar com 28 leitos dos 160 que já teve, com apoio de 4 psiquiatras e 4 enfermeiras além dos administrativos e 1 farmacêutica equipe que se vira em 10 para dar suporte a quem precisa.

 

Na conversa prévia a fiscalização da unidade foi relatada a distribuição dos profissionais do Hospital para os Caps (Centro de Atenção Psicossocial) que deveriam trabalhar prestando serviço aos pacientes devolvidos ao seio familiar, mas não cumpre de fato seu papel pela falta da parte de urgência e com isso, deixou a unidade ainda mais abandonada, sem recursos de pessoal.

 

A falta de recursos no Eduardo Ribeiro na verdade pode ser considerada ‘conjuntural’, falta tudo, uma realidade de improviso em recursos financeiros, pessoal e estrutural, enquanto isso as pessoas que já sofrem com transtornos psiquiátricos passam pelo verdadeiro abandono por parte de quem deveria acolher e ajudar esses seres humanos, cidadãos.

 

Só para deixar registrada a importância de unidades como o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, ele já foi no passado um local destinado ao ensino, abrigava estudantes de medicina e ofereceu residência médica em psiquiatria especializando muitos dos profissionais psiquiátricos do Estado e tem em seu registro 90 mil pacientes cadastrados com transtornos na cidade de Manaus.

 

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