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SIMEAM CONSTATA LOTAÇÃO E FALTA DE PROFISSIONAIS NO PS 28 DE AGOSTO

Terça-Feira, 27 de outubro de 2020

Unidade não tem mais leitos de UTI e de enfermaria para pacientes com covid-19. Transporte de pacientes para o Delphina Aziz demora até 48h e mortes já foram registradas.

O Simeam (Sindicato dos Médicos do Amazonas) realizou visita técnica no Pronto-Socorro 28 de Agosto, Zona Centro-Sul de Manaus, onde constatou inúmeras irregularidades na unidade de saúde. Durante a fiscalização ocorrida no último sábado (24/10), os médicos sindicalistas, Mário Vianna e Patrícia Sicchar constataram a superlotação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e de enfermaria para pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus, internados no 5° andar da unidade e UTI geral. Segundo relato de funcionários, pacientes que precisaram ser transferidos para o Delphina Aziz, hospital de referência para o tratamento da doença, vieram a óbito após esperar até 48 horas pelo transporte.

"Além de esperar 48h para ser levado para o Delphina, já tivemos o caso de 12 pacientes em estado grave que morreram pela falta de oxigênio" relatou um dos trabalhadores.  De acordo com informações repassadas aos diretores do Simeam, o 5° andar, reservado para pacientes com covid-19, passou a contar com quatro leitos de UTI, nessa retomada de crescimento de novos casos. Agora o número de leitos subiu para 12, que as vezes funciona com muita dificuldade pela falta de recursos humanos.  "Os enfermeiros estão sobrecarregados. Além da falta de recursos humanos, os técnicos que estão atuando na linha de frente nem sempre são habilitados e devidamente treinados para atuar na terapia intensiva. Isso compromete todo o resultado do trabalho da equipe multidisciplinar, além de colocar em risco a vida dos próprios pacientes", ressaltou o presidente do Simeam, Dr. Mario Vianna. 

Outro problema que pode colaborar para o aumento do número de óbitos de pacientes com coronavírus é a falta de fisioterapeutas na unidade hospitalar. Para Mario Vianna, que no inicio da pandemia testou positivo para a covid-19, a fisioterapia possui um papel fundamental tanto no início do tratamento quando na recuperação do paciente que contraiu o vírus.  "Trata-se de uma doença respiratória com diferentes níveis de complexidade, necessitando, na sua representação mais grave, do uso de respiradores. Os pacientes, dependendo de cada caso, deveriam ser acompanhados pelo médico intensivista e também pelo fisioterapeuta entre duas a três vezes, todos os dias", alertou o representante da classe médica, frisando que durante seu processo de recuperação, ter sido acompanhado por um profissional fez toda a diferença, no seu tratamento realizado numa clima da rede privada.

O cenário de lotação acontece em todos os setores do pronto-socorro. Na clínica médica que funciona no 4° andar, 69 leitos estão lotados, entre leitos de UTI e de enfermaria. O Centro Cirúrgico que funciona no 1° andar também segue lotado. E na Clínica Cirúrgica de Observação (CCO) no térreo do 28 de Agosto, 63 pacientes estão empilhados, mais seus acompanhantes, sem o mínimo de distância necessária para evitar a contaminação por covid-19. Essa enfermaria de observação acaba sendo internação e não tem diaristas que acompanhem a evolução de forma continuada o que leva a desassistência.

"Isso é um crime. Observamos um alto índice de contaminação local entre os próprios funcionários e pacientes. Além da aglomeração, falta biombo para separar os pacientes uns dos outros. Infelizmente constatamos que as últimas notícias divulgadas sobre a unidade são verdadeiras e isso é alarmante", avaliou a secretária geral do Sindicato dos Médicos, Dra. Patrícia Sicchar. Outra realidade relatada pelos profissionais é a falta de remédios, entre eles, noradrenalina, medicamento usado para reanimar pacientes em estado grave, fentanil e outros.

A falta de leitos de retaguarda também preocupa os trabalhadores que atuam na linha de frente, o que é uma das causas da superlotação, aliada a crônica dificuldade de realizar exames complementares.

PACIENTES RENAIS

Uma nova lista da morte chamou a atenção do Simeam. Durante a fiscalização foi detectado que uma média de 70 pacientes que sofrem insuficiência renal precisam fazer hemodiálise no PS 28 de Agosto. O pronto-socorro precisa fazer mais de 35 hemodiálises por dia e a cota é de 12 pacientes. "Pacientes estão morrendo. De cada 10 pacientes com covid, oito sofre de insuficiência renal e muitos morrem", informou Mario Vianna, destacando que os problemas identificados farão parte de um relatório que será encaminhado para os órgãos competentes, inclusive para o Ministério da Saúde.

O Simeam retornou as fiscalizações após decisão da Justiça que arquivou ação movida pelo Conselho Regional de Medicina (Cremam) contra o sindicato, na tentativa de impedir as visitas técnicas que tem como objetivo identificar as condições de trabalho dos profissionais, falta de material e EPI, e outras irregularidades que comprometem a vida, tanto do trabalhador, quanto do paciente. "Também observamos graves problemas na urologia que sequer dispõe de um cistoscópio e de cateteres, para realização das litotripsias (retirada de cálculos ureterais), que causam dor e até perda do rim e levam a morte", destaca Mario Vianna.

Os médicos afirmam que o governo não tem boa vontade para resolver o problema. "Na Cirurgia Geral observamos o velho problema de ter frequentemente dois procedimentos cirúrgicos ao mesmo tempo. Só fica um único cirurgião no politrauma, o que é temeroso para um grande pronto-socorro" observou Vianna.

Na visita técnica foi informado que há a proposta de se retirar um ortopedista, o que será mais uma decisão totalmente sem embasamento técnico, segundo avaliação dos especialistas. "Um ponto positivo que observamos foi a evolução visível e elogiável da organização obtida pela Clínica Médica (Cooperclim) ao articular exames complementares com as necessidades de seus pacientes e ainda a realização pelos clínicos de paracenteses e toracocenteses diagnósticas, o que traz grande resolutividade a Clínica Médica do PS 28 Agosto" elogiou o presidente do Simeam.

 

Texto: Alan Charles Chaves 

Assessor de Comunicação do Simeam.

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